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Alimentos, transporte público, frete e informática: preços devem ter alta geral com fim da desoneração Blog


Previsão é de inflação no transporte, por exemplo

Preços de alimentos, transporte público, frete, informática e serviços podem aumentar se o veto à desoneração da folha de pagamento não for derrubado pelo Congresso Nacional até
o fim do ano, preveem as entidades dos setores impactados. A subida da
inflação deve ocorrer em paralelo ao corte de cerca de 1 milhão de vagas
de emprego no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou
integralmente o projeto de lei na quinta-feira (23), o que gerou
críticas de instituições representativas de segmentos da economia e de
trabalhadores.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) dá o aumento de preços dos
fretes como certo se não houver desoneração. “Para o setor
transportador, haverá impactos diretos no aumento dos custos
operacionais das empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas,
rodoviário e metroferroviário público de passageiros.”

“Isso pode gerar redução dos postos de trabalho e inviabilizar novas
contratações, além de aumentar o preço médio das passagens e dos fretes,
interferindo diretamente na inflação e no valor de produtos e
serviços”, diz a entidade, em nota.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) afirmou
que o veto deve gerar um aumento de 6,78% nos custos do setor de
transporte coletivo por ônibus urbano. Segundo a entidade, se o ato não
for revertido, deve haver um reajuste médio das tarifas para o
passageiro de até R$ 0,31. “Atualmente, o valor médio da tarifa nacional
está em torno de R$ 4,60 e, portanto, pode ultrapassar R$ 4,91 em
função do veto.”

“Custa a crer que um governo que sempre defendeu o emprego e defende
sustentabilidade das empresas está provocando uma catástrofe se nós não
resolvermos este assunto em todo o nosso ambiente. Vão parar
investimentos, vai haver uma grande demissão de mão de obra, nós vamos
ter aumento de custos para a população”, afirma Vivien Mello Suruagy,
presidente da Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção
de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática
(Feninfra).

O presidente da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), John
Anthony, afirmou que haverá aumento de preços e da inflação se a decisão
não for derrubada pelo Congresso. “Vai acarretar muito desemprego e,
além disso, vai ter aumento em produtos, alimentos, transporte público e
transporte de carga, fazendo com que a classe mais vulnerável perca seu
poder aquisitivo. Também haverá aumento da inflação.”

“O fim da política da desoneração ensejará na elevação dos preços dos
serviços de TI, reduzindo o acesso e consumo de tecnologia, com
consequente perda de competitividade das empresas brasileiras em todos
os setores”, diz nota conjunta de entidades do setor. O texto é assinado
pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), Associação
Brasileira de Internet (Abranet), Associação das Empresas de Tecnologia
da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom),
Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da
Informação (Assespro) e Federação Nacional das Empresas de Informática
(Fenainfo).

Entenda

A prorrogação da desoneração da folha até 2027, um propósito que une
entidades empresariais e sindicatos laborais, substitui a contribuição
previdenciária patronal de 20% sobre a folha de salários por alíquotas
de 1% a 4,5% sobre a receita bruta das empresas. Os 17 segmentos
contemplados são: call center, comunicação, calçados, confecção
e vestuário, construção civil, construção e obras de infraestrutura,
couro, fabricação de veículos e carrocerias, máquinas e equipamentos,
proteína animal, têxtil/confecção, tecnologia da informação, tecnologia
de comunicação, projeto de circuitos integrados, transporte
metroferroviário de passageiros, transporte rodoviário coletivo e
transporte rodoviário de cargas.

Com a decisão do petista, a medida termina em 31 de dezembro deste ano,
com um risco de perda de cerca de 1 milhão de empregos após o fim da
validade da desoneração. O veto à prorrogação da desoneração foi
recomendado pelo Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad,
por meio de notas técnicas.

Derrubada do veto

A prorrogação da desoneração, no entanto, é defendida pela maioria dos
parlamentares do Congresso. O veto de Lula ao projeto é contrário ao
posicionamento de 84% dos deputados federais. Dos 513 parlamentares, 430
votaram a favor da proposta.

Impedir a extensão da desoneração também significa ir na contramão da
manifestação dos senadores, que aprovaram a matéria por votação
simbólica, ou seja, quando não há contagem de votos. Por isso, deve
haver uma forte reação do Congresso — que deve derrubar o veto
presidencial.

A medida está em vigor desde 2011, quando foi adotada durante o governo
da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Quando a concessão entrou em
vigor, 56 setores eram contemplados, mas o ex-presidente Michel Temer
(MDB) sancionou, em 2018, uma lei que removeu 39 segmentos do regime. A
medida valeria até 2021, mas foi prorrogada pelo então presidente Jair
Bolsonaro (PL) até 2023.

 

R7


Fonte: Ipu Noticias

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