Ipu NoticiasÚltimas Notícias

Anvisa avalia se abre consulta sobre venda de vapes Blog


 

A
Diretoria Colegiada da Anvisa convocou uma reunião no início de
dezembro para debater a resolução que proíbe os cigarros eletrônicos no
país. A etapa faz parte de um processo de revisão regulatória aberto
pela agência para analisar as mudanças ocorridas com os chamados vapes
desde que foram vetados no país em 2009. A expectativa é que seja aberta
uma consulta pública para ouvir entidades e a sociedade civil sobre o
tema.

“Em 2019, esse tema voltou à pauta da Anvisa formalmente
para se discutir mais uma vez a proibição, que estudos ocorreram nesse
ínterim, como está o cenário hoje, e o que sabemos sobre esses produtos.
A partir de então, nós da área técnica fizemos um novo texto da
resolução para a proibição dos cigarros eletrônicos”, diz Glória Latuf,
que faz parte da área técnica de controle de tabaco da Anvisa, durante
um evento realizado pela Academia Nacional de Medicina nesta
quinta-feira, 23.

Dados
de uma pesquisa do Ipec mostra que hoje mais de 2 milhões de
brasileiros consomem cigarros eletrônicos. Em 2018, quando foi realizado
o primeiro levantamento do tipo, esse número era de 500 mil. Como o
produto é proibido no Brasil, todo o consumo é baseado em um mercado
ilegal. Especialistas do setor alertam para os riscos do uso de um
produto sem regulamentação.

“O que nós temos são produtos na sua
grande maioria contrabandeados do Paraguai ou da China, quando não
feitos em fábricas de fundo do quintal sem nenhum controle sanitário,
sem nenhum controle de qualidade, sem nenhum tipo de fiscalização. Então
esses brasileiros estão usando dispositivos de procedência duvidosa sem
nenhum controle de qualidade estão correndo risco de estar usando
líquidos de qualidade baixa de qualidade fora do padrão de consumo para
os seres humanos”, afirma o pneumologista Rodolfo Berhsin.

O
psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva, ex-diretor da OMS, defende que
haja mais estudos para entender o vício em tabaco e preveni-lo. “A única
prevenção que há está no cérebro. E não existindo estudo sobre isso,
nós falamos muito sobre consequência, mas não abordamos a causa”.
Enquanto não mais evidências científicas sobre isso, ele acredita na
importância da regulamentação. “Uma coisa proibida é feita escondida,
sempre, sempre será. E quem vai aproveitar são as pessoas que não querem
que a coisa seja visível. Então, para mim, muito simples: vamos
regulamentar, criar regras, colocar os lugares que isso pode ser usado,
quem pode usar, idade, a quantidade, o que é que tem dentro, qual o tipo
de vaporizador etc”, disse ele, também no evento da Academia Nacional
de Medicina.

O ex-diretor da Anvisa e médico sanitarista Gonzalo
Vecina concorda. “É preciso legalizar, regular quantidade de nicotina,
proibir a presença de sabores, proibir a presença de aditivos. E de
resto, o Estado tem que tomar a atitude de regular”, afirma.

No
ano passado, a área técnica da Anvisa produziu um relatório que
recomendava a manutenção da proibição no Brasil. A expectativa é que
agora, com a abertura para consulta pública, a agência tome uma nova
decisão sobre o tema apenas em 2024.

 

 

(CNN)

Fonte: Ipu Noticias

Mais Notícias

Botão Voltar ao topo